terça-feira, 25 de abril de 2017

POEMA

"Cumpridos os deveres compridos deixaram
De assediar minhas horas

Doce a liberdade retoma em si minha leveza antiga"


Sophia de Mello Breyner Andresen,
Ilhas


segunda-feira, 24 de abril de 2017

"Lá dentro a penumbra é fresca e vagarosa.
Nenhum rosto, nenhum vulto. 
As marcas do homem contando a história do homem."

Sophia de Mello Breyner Andresen 



quarta-feira, 29 de março de 2017

"diante de si mesmo, imobilizado, os animais da noite aproximam-se e falam-lhe baixinho. a terra abre-se à subtileza dos fogos, gera-se um novo corpo no princípio imemorial do ouro e das geadas.
os animais são formas etéreas coladas à pele. da humilde casa que habitámos pouco resta. as urzes irrompem, recortam-se no escuro, e as sombras dos frutos em contraluz formam geometrias e constelações. um peixe brilha sobre as pedras, morto. 

enumero por fim os alimentos, o olho, o círculo das chamas, a luz dos dias sem ninguém.

ele fala com os animais da noite, segreda o que em voz alta não é possível dizer. prepara o lume, solta as aves, adormece em cima do mar.

silhuetas sentadas à fogueira da noite escutam o silêncio sibilante dos astros. crepitam insectos, vozes mágicos.

silhuetas sentadas à fogueira da noite escutam o silêncio sibilante dos astros. crepitam insectos, vozes mágicas.
vamos pelas dunas da manhã, nómadas onde um rosto nos recorda o inaudível canto da noite que fomos: a fresca alba das galáxias."

Al Berto, Medo

POEMA

"Cumpridos os deveres compridos deixaram De assediar minhas horas Doce a liberdade retoma em si minha leveza antiga" Sophia ...